Eu achava muito estranho quando as pessoas falavam sobre saudade. Eu sempre entendi saudade de um jeito teórico, mas nunca pensei que realmente fosse senti-la. Há alguns meses, meu melhor amigo morreu. Não no sentido figurado, de que brigamos e nunca mais nos falamos. Não no sentido do esquecimento. Ele morreu. Eu não vou vê-lo em festas de família, na igreja ou meu aniversário. Eu não vou vê-lo fazer palhaçadas pra me fazer sorrir ou jogando peteca comigo. Eu não vou vê-lo na mesa do restaurante sendo o melhor amigo do garçom e pedindo a conta dizendo, “Amigo, quem pega é ela”, e começar a rir e pagar. Eu não vou vê-lo me chamar para ir ao cinema assistir o pior filme do mundo só para rirmos alto e fazer o cinema inteiro rir com as nossas próprias risadas. Eu não vou vê-lo sorrir de novo. Mas, com toda certeza, a imagem que eu guardarei dele, será de um homem sorridente, que sempre fez de tudo pra me ver feliz.